E aí um espanhol sentou do meu lado, veio perguntar se eu fazia parte da organização da prova. Daí eu falei: “Não, eu vem competir. E qual o teu objetivo na prova?” Eu vim aqui para vencer a prova. Cara, mas tu sabia que aquele francês é o número um do ranking mundial? Que aquele alemão é o melhor ultra ciclista do mundo? Sim, eu pesquisei sobre esses caras, vi como eles são fortes, mas eles nunca competiram um cara como eu. E aí eu saí em terceiro da natação, tinha perdido a minha bagagem, comecei a pedalar com uma bike emprestada que nem era bike de competição, nada, e eram voltas de 7 km na bike, né? O espanhol foi o primeiro a terminar a natação, uma hora na minha frente, já tava na minha frente e ainda passavam voltas por mim, né? Com 110 km de pedal, aí chegou a bagagem, o meu staff montou a minha bike. Agora começa a prova, agora eu vou caçar esses gringos. Aí quando eu cheguei na no espanhol, eu falei: “E aí cara, vamos pedalar junto agora?” Aí ele olhou para mim, franziu a testa, olhou pra minha bike assim, baixou a cabeça e deu um gás, me deixou para trás. Baixei a cabeça, passei ele, vou assim, vou recuperar uma volta. Recuperei uma, recuperei duas, recuperei três. Quando eu fui passar a quarta volta por ele, ele tava com a bike parada e vomitando do lado da bike assim. Nossa. E aí eu pedalei por 40 horas e o alemão, que era o melhor ultraciclista do mundo, terminou 3 minutos na minha frente. Aí eu pensei agora ele já era. Não tem como ganhar de mim na corrida no nessas distâncias mais de 200 km. Eu só olhava assim, tirando capacete, tirando sapatilha, vou pegar o cara, vou pegar. E no final eu botei 4 horas em cima do cara e bati o recorde da prova. Aí saiu uma matéria na revista da Itália. O brasileiro com seu equipamento vintage desbanca os atletas mais fortes do mundo.

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