(ENG)
Heading Southwest is an ultra-distance cycling challenge that takes place in Portugal. It’s a 1000 km route with 18,000 meters of total elevation gain and a maximum of 6 days to complete it — whoever finishes in the fewest days is the winner. Along the way, we cross stunning landscapes in the north of Portugal, following a route that is as beautiful as it is demanding.
This is a documentary created by me and filmed onboard during my participation in the challenge, with a first-person account recorded after completing it. This is the first episode, and it tells the story of the first stage from Aveiro to Linhares da Beira, where CP1 (Checkpoint 1) was located — approximately 280 km and 5,600 meters of climbing.
The episode also includes English subtitles in an effort to reach a wider audience. It was originally planned to be a single 1h30 film, but I thought it would be more interesting to release it in episodes first, to share the content more quickly, and then later publish the full film with all episodes combined.
I hope you enjoy this adventure!

(PT)
Heading Southwest é um desafio de ciclismo de ultra-distância que acontece em Portugal. É uma rota de 1000 km com 18.000 metros de desnível acumulado e um máximo de 6 dias para ser concluída — quem terminar em menos dias é o vencedor. Ao longo do percurso, atravessamos paisagens deslumbrantes no norte de Portugal, seguindo um trajeto tão bonito quanto exigente.
Este é um documentário criado por mim e filmado a bordo durante a minha participação no desafio, com um relato em primeira pessoa gravado após a conclusão. Este é o primeiro episódio e conta a história da primeira etapa, de Aveiro até Linhares da Beira, onde estava localizado o CP1 (Checkpoint 1) — aproximadamente 280 km e 5.600 metros de subida.
O episódio também inclui legendas em inglês, com o objetivo de alcançar um público mais amplo. Inicialmente, estava planeado ser um único filme de 1h30, mas achei que seria mais interessante lançar primeiro em episódios, para partilhar o conteúdo mais rapidamente, e depois publicar o filme completo com todos os episódios juntos.
Espero que gostem desta aventura.

#bikepacking #ultracycling #orbeaterra #headingsouthwest

Este homem segue-me desde o Brasil. Que inclinação. Que liberdade tão boa estar aqui sozinho. 11 da noite, 230 km, 4500 de acumulado. Podem-se sentar que esta história é um bocadinho longa. Vou dormir aqui uma grande cesta agora. Quero acabar isto a pedalar à 15:40. Orora só falta uma subir, uma mocada. Foi esta parede. O que é o wedding Southwest? Até já vou dormir. O wedding South West é uma gigante que vos vai engolir se vocês não forem preparados para ela. Mas é também uma história que pode ser linda se forem minimamente preparados. Lendo. Vão ver aquela estradinha. É daí que nós estamos a vir. Vão conquistar muita coisa, mas vão também descer eh ao fundo, ao mais fundo possível, vão ter desconforto extremo. Que calor! Não sinto os dedos dos pés há dois dias. E se tudo correr bem, vão também superar tudo isso e concluir este mega desafio. Estamos a falar de 1000 km de distância, um percurso que começa em Aveiro e termina em Aveiro, mas pelo caminho passamos pela Serra da Estrela, pelo Aledor Vinheteiro, pelo Parque Natural Pené da Jerez e por muitas zonas bonitas de Portugal. O Eding Sou West é uma homenagem ao território português e também ao ciclismo de ultradistância. Siga. Já cheguei há um bocadinho. Tenho estado aqui e a fazer checkin e na pensão atrás de mim. Tive a beber aqui uma cervejinha na esplanada também desfrutar um bocadinho aqui. O meu objetivo pessoal é tentar fazer este desafio em quatro dias apenas. Não sei se é possível, mas as etapas estão traçadas, está tudo definido. Vamos ver como é que isto corre. E a veira, aveiro é bonita. Eu já não vinha aqui há muito tempo e agora vou tentar descobrir onde é que fica a casa da bicicleta, levantar o cap e toda a informação. Depois vai haver também um briefing e às 8 da noite em português, às 7 em inglês. E mas é para aí que eu vou agora. Vou tentar descobrir onde é que fica a casa da bicicleta e ver quem é que anda por lá. E acabei de chegar. Já vejo aqui bicicletas. [Música] Onde há bicicletas há aventuras. Casa da bicicleta. Aqui está. Há mais de um ano que me comecei a preparar para este desafio. Aliás, eu acho que me estou a preparar para este desafio desde que comecei a andar de bicicleta e nos tempos da pandemia. Eu penso que tem sido uma evolução constante que me trouxe até aqui, só agora me senti confiante o suficiente para poder fazer um desafio desta magnitude. Mas eu diria que, pelo menos na minha cabeça, estar a planear treinos para isto, diria que há um ano atrás, mais ou menos, comecei a levar os treinos mais a sério, mas sobretudo nos últimos 4, ces tenho mandado a preparar e e a ser acompanhado no ciclismo pelo André Filipe da Evocy Cycle e na nutrição e também musculação, reforço muscular pelo Edgar Gomes. Por isso, eu diria que mais ou menos há um ano que eu me comecei a preparar melhor para este tipo de desafios, mas com mais consciência há cinco meses atrás, desde que sou mesmo acompanhado por pessoas que que me conseguem ajudar e que sabem mais do que eu e que são peritos nesta matéria. E fui para este desafio a sentir-me bastante confiante a nível físico. Já a nível mental é sempre um uma surpresa. Sabia que ia ter que sofrer muito, mas não sabia como é que como é que a cabeça iria reagir quando estivesse à prova. É um bocado incrível como se vê malta que vai carregada como se fosse viver uma semana na selva, que é mais ou menos o meu estilo. E há outros que parece que vão só comprar tabaco e que já vem [Música] girar que já ninguém me dava o chapeuzinho. Ah, ainda posso participar. Então se calhar era melhor não amanhã logo. Amanhã não, amanhã ainda não chateia muito. Depois da amanhã logo vamos lá ver número nove. Ficar aqui a pressionar tá ligado agora. Já não há volta a dar número nove. Tracker ligado. Agora vou à procura sítio para comer qualquer coisa. Andar os 14 km de volta. para a pensão, eh, estudar mais ali umas coisinhas que preciso, ver se está tudo OK com a bike, voltar a carregar esta bateria da GoPro, ver se tenho os cartões de memória, se tenho tudo orientadinho e, claro, fazer um telefonemazinho à família, dar um grande beijinho ao meu filhote e à minha mulher, que vão estar cheios de saudades minhas durante estes dias. A bicicleta escolhida para o desafio está aqui atrás de mim, a Orbeia Terra. Eu optei por uma bicicleta de gravel, não só pela transmissão eh que me iria ajudar a subir. Eu sabia que iria subir muita coisa e achei que uma transmissão de uma bicicleta de estrada me iria fazer penar mais no terreno. E depois não só por isso, mas também pelo facto de eu ser embaixador da Orbeeia e e o meu patrocínio incluir apenas duas bicicletas, uma de BTT e uma de Grevel, não tenho bicicleta de estrada da marca Orbeia e não me fazia sentido nenhum levar para o maior desafio do ano que eu iria estar a filmar, levar uma bicicleta que não fosse da marca que me patrocina. A nível de equipamento não foi muito fácil optar pelo kit que iria levar. Tinha aqui várias opções, mas acabei por optar por aquele que eu já estou mais acostumado e que eu costumo usar nas minhas viagens de bicicleta que já tinha feito no passado. Bolsa de slim, uma bolsa de quadro top tube e aqui uma da EVOC à frente mais pequenina. Eu primeiro tinha um kit maior, mas estava a achar demasiado peso. Comecei por retirar coisas, retirar bolsas eh e prescindir de algum conforto. A verdade é que iria levar muita coisa que nem sequer depois provavelmente iria usar. E então decidi assumir o compromisso de OK, vais passar por coisas se calhar desagradáveis, vais optar por ter menos conforto, mas vais ligeiramente mais leve. Já estou a chegar aqui ao control zero, ligar o GPS. Bom dia. Bom dia. Tudo bem? Prontes? Muito bem. É daqui que vamos partir para os 1000 km do Eding South West. Entre as 6 e as 7 pode-se arrancar daqui de Aveiro. Eu decidi arrancar o mais cedo possível e fazer estes primeiros quilómetros neutralizados mais tranquilo, parar lá no cafezinho, tomar um pequeno almoço e depois então às 8, sim, é a partida oficial daquela localidade que eu agora não me recordo o nome. Pessoal tá aqui a confraternizar, meio envergonhados uns com os outros ainda, mas já se vai falando. Good luck. Olá, bom dia. Bom dia. Estás pronto? Prontíssimo. Tá bem. Tá tudo a correr live vocês. [Música] Diz que estou prontíssimo. Vamos descobrir se estou ou não. Olá, tudo bem? Bom dia. Estás bom? Olhe para aí. Coisa mais linda. Vamos lá. Corra tudo bem. Igualmente. Obrigado. Somos todos fãs anónimos. Somos fãs uns dos outros. Fãs uns dos outros. Bem, vamos fazer o caminho. Até já. É, já nos encontramos lá em Aguada e para mim é oficial, começa agora o Wedding Southwest. Os primeiros quilómetros são neutralizados, ou seja, não contam para o tempo do desafio. Este ano, pelos vistos, isto é uma novidade. Há dois modos em que podem participar, no modo race e no modo touring. Eu optei por participar no Edding Southwest no modo racing solo. havia três opções ou h em pares e touring eh ou racing solo e e há pequenas diferenças e regras a cumprir em cada uma destas situações, sobretudo no racing solo. Não posso andar em grupos durante muito tempo. E os douring podem andar em grupo porque não podemos ir na roda uns dos outros. Isto é um desafio pessoal, portanto isso não é permitido. Eu não posso ter assistência por parte de outros participantes no modo racing quando no touring. Podem sempre entre ajudar. Basicamente eu quero fazer isto sozinho, quero estar sozinho, quero usufruir disto sozinho, estar fora do conforto sozinho, desafiar-me sozinho. [Música] [Música] Boa sorte. Igualmente, igualmente. Vou aproveitar para comer aqui qualquer coisa. Esta rapaziada já se está a tratar. Ser famoso. Esta malda já trabalha toda. Tá aqui tudo parado. O homem que vai ganhar isto em uma tarde, vai subir isto hoje. Hoje chega aos 1000 km. Quantos é que temos aqui hoje a concluir? Olha, temos 48. Eram 50 inscritos. Infelizmente os participantes não vão arrancar. Um com problema mecânico, outro com problema depois mais de saúde, mas temos 48 pessoas aqui à partida. E diz-me uma coisa, como é que tu te sentes no dia de hoje? Responsável também é um pouco de ansiedade, não é? A preocupação é que ninguém se mandou, mas sinto-me um pouco ansioso, confesso, vai passando ao longo do tempo, o ano passado estava um pouco mais ansioso, este ano não tanto, pá, mas temos uma equipa de voluntários a ajudar na organização brutal, por isso tem tudo para correr bem. E o que é que podemos esperar destes 1000 km? Está na hora de arrancar ou se é tá na hora, tá na hora. Tenho que ir para ali. Olha, espero que o pessoal se divirta. Vai ser duro, vai ser duríssimo. O tempo é capaz. Temos que ter temperaturas um pouco elevadas. Espero que o pessoal se virta acima de tudo. Olha, boa sorte para vocês também. Um abraço, fortísimo. Um abraço. É isto. Este é um dos responsáveis por estarmos aqui todos. O maior responsável por eu estar aqui é o João Manuel Pinto. Espero não me arrepender disto, ó Pinto. Vamos embora. São 8 horas. Está na hora de arrancar. Agora sim começa verdadeiramente o desafio. 3 2 1 Boa sorte. Força. Obrigado. Boa sorte. Boa sorte a todos. à esquerda no meio da estrada. [Música] Tenho que fazer um vídeo, mas também tenho que concluir um desafio. E a etapa de hoje não é nada fácil. Vou fazer 280 km mais ou menos, ou tentar fazer subir ainda à estrela hoje. Basicamente é ir de Aveira até ao CP1, a Unhares da Beira. O estudo das etapas é algo muito importante, estudar o percurso. Eu tive também a ajuda nisto do André Filipe e só tive tempo de preparar quase as minhas etapas na semana antes, dois dias antes de começar o desafio. Vamos no quilm 50, quase com 700 de acumulado, média de 25.5 o que está dentro do plano, pelo menos para esta fase da etapa. Hoje vamos subir a estrela e tentar passar a estrela. Ainda já tinha uma ideia mais ou menos de por onde iria passar. Faltava agora eh decidir em quantos dias eu iria fazer isto, sendo que já tinha em mente de fazer este desafio em 4 dias. Temos um limite máximo de 6 dias para percorrer os 1000 km. Quem terminar em menos dias vence o desafio, embora isto não seja bem uma competição, mas a qualificação e ela está presente e é através dos dias, do tempo que levas a percorrer e este trajeto que decide quem é ou não o vencedor, o mais rápido. Tentamos preparar cerca de 250 km por dia, sendo que a primeira etapa seria a etapa oficial, vá, doeding sudoeste, que vai de Aveiro até Linhares da Beira. São 277 km 5600 de acumulado e passamos logo a Serra da Estrela no primeiro dia. Esta era a etapa que mais me assustava. Eu tinha bastante receio de ficar no meio da serra a horas que fossem impróprias, que fizesse mais frio, não conseguir arranjar nenhum sítio para para dormir, porque depois de chegar à torre em dia descer para o sabogueiro, ir para o lado de manteigas, não era assim tão simples. Era uma etapa muito dura, era ir de Aveiro a Alinhares da Beira. Já vamos com 70 km, 100 de acumulado. Manter aqui uma média acima dos 20 km/h, 24 km/h. As paisagens começam a aparecer gigantes ali daquele lado, do lado esquerdo, mas nem sempre é fácil eh progredir no terreno e filmar tudo. Portanto, às vezes opto por não filmar, porque também estou aqui para concluir um objetivo grande e nem sempre filmar é prioridade. Se bem que é também objetivo. Acabei de papar um coraçãzinho, tentar comer bem de hora a hora. Vamos linha antes da subida. Erou. Esta parte fiz na Nacional 2. Acumulado. Chegar a roteia. Dia perfeito para a prática. Nem tá muito frio, nem tá muito calor. Até agora tá ótimo para pedalar. 88 km e 10:20 da manhã. O meu objetivo era estar ali na zona ao levou das vársias vidos, que é um pouco antes de se começar a subir a serra em Unhais. Eu gostava de estar aí por volta do meioia e meia e eu penso que assim será possível. Os primeiros 100 km de hoje estão feitos. 1750 subida acumulada, mas é bom ver três dígitos pela primeira vez no GPS. Há aqui uma uma queda de água lindíssima que não consigo mostrar-vos. Agora sim, começa começa a ficar interessante a nível de paisagem. [Música] aqui a chegar uma vila toda bonita. Vila Cova de Alva. O nome cova é um bocado assustador porque depois vou ter que esgatanhar. Vou ter que procurar aqui um spot para abastecer. Acho que tem aqui. Ora, bom dia. Faz algumas coisinhas para comer para levar uma sandes ou uma bifana ou uma coisa qualquer. Não, bifana. E ses, por exemplo, mista ou assim? Não, s só queijo. Só. Então, pode ser uma sandocha de queijo, uma Coca-Cola e e se puder encher isto aí na torneira, agradecia-lhe. Já acreditam que pode ser um dos jovens de 17 anos que está desaparecer há 9 dias 5 horas desde que arranquei de Aveiro, mas tempo de prova deve estar a marcar agora às 5. Estou a ficar enfiado dentro de um buraco só de serras. Bom dia. E brevemente penso que vamos começar a subir o maior do dia. Ah, força. Vamos estar a subir 4 km, basicamente. 120 m. Vamos subir 120 m. Sou tão pequenino aqui no meio disto. Olá. Olá, pai. Boa sorte. Poxa nas pernas. Pai tá aqui na zona de alvoque das várzias. Uma chamadazinha para a família. Gostava tanto que eles pudessem sentir isto, que eu sinto andar aqui. Só que depois também bate a saudade do filhote, da sobrinha, da mulher, de todos, mas não é por eles que eu estou aqui. [Música] Eu sei que o manifesto uma vez mais diz que é para não se fazer isto, mas ah, tem de ser. Com este calor não posso arriscar a desidratar. Vale mais arriscar a apanhar uma caganeira. [Música] E agora vou comer a cartaça que o Zé Manuel fez ali naquele tasque. [Música] Boa tarde. Tem alguma coisa que se coma tá tá ver um bocado os pés. Olha eu. Olha para ó pá também tenho vindo assim parece caldados por baixo não é? Sim. Os homens ligeram tomar assaltos o café desta menina. Está. Vamos lá começar a subi-la. [Música] Tá muita calor a subida à estrela. Foi por Unhais da Serra. Eu nunca tinha subido a estrela por ali. Aliás, eu só subi a estrela uma vez durante o Portugal Divide e tinha 27 kg de bicicleta. E então pensei, se da outra vez com 27 kg de bicicleta, eu consegui e já e já ia com 600 km mais ou menos quando lá cheguei. Pensei desta vez vou começar a subir a serra com 180 km. Tenho apenas 18 kg de bicicleta. Não será assim tão desafiante, tão mau. A verdade é que tava muito calor. Tava mesmo muito calor à hora que comecei a subir unhais da serra. Seria ali por volta das 2:30 da tarde. 2 2:30 mais ou menos. Muita calor aqui. Nem uma brisazinha fresca. Passava uma brisazinha, mas era uma brisa quente. E a dada altura eu já sentia calor, aquilo não parava de subir. 3250 e acumulado. Arranquei de aveiro há 9 horas. E isto agora aqui tá a ficar muito real. Aqui não posso cometer erros. Apesar de ter água comigo, a água era um caldo completamente quente. Não refrescava, não havia mais água em lado nenhum ali naquela parte e que eu estava a subir e começou a ser um verdadeiro inferno. Comecei a sentir tonturas, o corpo estava-me a dar sinais, porque nós entramos no modo queres seguir em frente, queres seguir em frente, mas não pode ser assim. O corpo dá-te sinais e tens que aprender a ouvi-los. Então eu pus a mão na consciência, vi uma pequena sombra de uma árvore e decidi: “OK, tens que parar ali e tens que mudar qualquer coisa”. E parei ali, tive de parar aqui a meio, tenho de fazer alguma coisa para me sentir mais fresco, retirar este chapéu. Comecei logo por retirar aquele aquele o capzinho que tá aqui, tirar este capzinho do capacete para a cabeça ventilar mais para o ar circular. Retirei o jersey, fiquei de manga a cava com uma cena interior apenas. Eh, sentei-me no chão um bocado e tive ali, tive ali uns minutos a pensar na vida, a pensar bem onde é que eu me estou a meter. Isto ainda agora começou, mas a verdade é que eu olhava para trás e não via mais ninguém e pensei: “Calma, não és o único que está aqui a passar por isto, os outros também estão aqui, uns mais para a frente, outros mais para trás, mas estamos todos a passar pelo mesmo. Portanto, concentra-se, ouve o teu corpo, faz uma pausa, respira e depois retoma a rota e vai com coragem. E foi isso que fiz. A verdade é que um pouco mais acima consegui encontrar água fresca. Depois ali de um segmento também de grvelo, não era alcatrão. Saímos de estrada algumas vezes, ali foi uma delas. E no final dessa parte encontrei ali uma espécie de uma cascata a correr com toda a força. Eh, e tive que optar entre desidratação e caganeira. [Música] Uma água circulava ali com tanta força e, pelo que eu vi em documentários, seria segura a partida beber daquela água. A verdade é que ela estava muito fresca. Sou-me pela vida. Enchi os bidons, be água, refresquei-me todo. H, e ganhei ali mais um ânimo para continuar a subir a serra. Que subida horrorosa [Música] tenho que parar aqui mais um bocadinho à sombra só para subir isto tudo. Estão a ver aquela estradinha? É daí que nós estamos a vir por ali acima até chegar aqui 3873. [Música] Velocidade média 21.1. Mesmo assim. Vá lá, vá lá. Estava a ver que morri ali naquele buraco. Consegui. Estou a chegar à torre. Então me apetece chorar. Ó pá, só quem cá veio sabe o que foi esta subida. 203 km, 4200 e a conquista da torre tá feita. Ah, obrigado, filho. Uma coisa muito gira que aconteceu quando cheguei aqui ao ao topo da estrela foi, eu vi um senhor brasileiro com uma roupa assim com flores e também uma bicicleta carregada de tal forges e de e de equipamento de bike packing. E eu eu vi o senhor, ele estava a olhar para mim, eu pensei: “E bem, este homem tá a ver a marretada que eu que eu tenho, eu tive que estar ali sentado um bocado.” E aí ele veio ter comigo e disse: “Oi, cara, sigo você no YouTube, segue desde o Brasil. Eu te sigo, eu te sigo lá do Brasil, cara. Este homem segue-me desde o Brasil e agora apareceu-me aqui. Estou aqui com uma mocada. Tenho que ir buscar água, amigo. É isso aí. Qual era a dúvida? Freia disco para descer é ir segurando ou ir? Não sei, aquilo fez-me esquecer um bocadinho aquele momento que tinha passado, aquele mau momento e tivemos ali um pouco à conversa e e e dou que pensar no percurso que eu tenho feito ao ponto de haver pessoas no Brasil h e que estão aqui em Portugal, quem sabe devido ao conteúdo que eu faço de bicicletas e terem a vontade de vir cá descobrir também Portugal de bicicleta e ouvir aquelas palavras deram-me um ânimo e então dei-he um aperto de mão, agradeci e disse: “Amigo, Eu vou ter que seguir caminho, senão já não vou sair daqui. E montei-me na bicicleta e segui o meu caminho. Tá complicado isto. Tive que tirar uma bateria da GoPro com esta faca. Seu para o lixo, não saía, partiu-se aquela fita que se puxa. Escavaqueia toda a tentar tirar. Pois foi o cartão. Eu a querer segui-lo e só merdas a fazerme parar. Vou aqui muito sozinho. [Música] Que liberdade tão boa. Mais uma escalada concluída. Hoje vou fazer, se tiver certo, 277, 280 até ao CP1. Já aprendi aqui uma liçãozinha hoje. Amanhã esta menina anda comigo. Vamos embora. Hoje está a ser um dia épico, cheio de emoções, momentos maus, momentos fantásticos de superação. Amor, ah, tá bemvinha. Quase não era capaz de pôr isto a trabalhar. Só tu é que só tu é que me atendeste. Olha onde é que eu estou. Ai meu Deus, eu sozinho. Foi amor, por estás um peixinho. Olha, por este é que eu não esperava. Olha que isto não tá a gravar. Não tá, por acaso não tá a gravar. Ó pá, não posso parar, amigos. Não posso parar. Obrigado. Ai cagando maluco. Parei para me preparar para a noite, pôr o colete refletor, pôr a luz preparada, que agora vou descer e depois pode ser preciso e calçar aqui uma luvinha para me aquecer. A coisa que mais me assustava era sobretudo na primeira etapa. Eu achava que ia começar a subir a serra já bastante tarde e que acabaria esta etapa para a 1 ou 2 da manhã. A verdade é que não. Eu cheguei a Linhares da Beira bastante cedo, até pelo menos para a previsão que eu tinha. Às 9:45 eu estava no CP1, mas o meu maior medo era ficar ali na serra de noite e que estivesse muito vento ou muito frio, que felizmente também não foi o caso. Teve uma noite de verão fantástica. mesmo. 270 km 267. A chegar ao CP1 com mais uma subidinha, com um final de tarde brutal. Que inclinação! Que picada foi esta? Pá, queres sem luz ou com luz? É como que tu quiseres. Digam-me que ainda há aí algum sítio para ir comer. V ar cansado. [Música] Ora, então o que é que vocês me dão aqui? É um Ora aqui damos um carimbo da Serra da Estrela. Coisa mais linda. E um tokenas um carinho de pau dizer CP1. Sabes que isso vai ficar tudo gravado, não sabes? Vai tudo parar ao YouTube. CP1. Eita! E esta malta ainda a trabalhar todos os dias, a toda a hora. Nunca paramos. Esta gente não para, pá. Encontrei aqui a merceria da tia Amélia aberta, porque o restaurante também já não serve refeições. Eu estou cansado. Levo aqui umas choriças, um queijinho, uns bolinhos para amanhã de manhã, uns compás. Vira à esquerda. [Música] Cheira tão bem a casinha. Amanhã tenho mesmo que parar num restaurante para almoçar uma coisa como deve de ser. Agora vou lavar a roupa. Amanhã vai secar ali pendurada, pôr a carregar as baterias, organizar tudo, comer a choriça e e descansar. Fiquem bem. [Música] Oh. [Música]

9 Comments

  1. boas amigo caramujo, que brutalidade de coragem e superação nada que não estejamos habituados contigo grande abraço e continua como és um dia destes talvez me dê essa pancada também é o que gosto grandes distâncias💪💪👌👌

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